terça-feira, 20 de setembro de 2011

Som de sensações...



 Trata-se de 'Postcards From Italy' da banda Beirut. A banda começou a fazer sucesso no Brasil depois de ter a música 'Elephant Gun' usada como trilha na minissérie 'Capitu'. Foi nessa que eu também conheci e me apaixonei pelo som deles.
Não vou cometer a injustiça e eleger essa música como a melhor da banda, mas devo confessar que é uma das músicas que mexe mais comigo. E esse mexer chega a ser ambíguo, uma mistura de felicidade, tristeza e  saudade... complexo. 

Acho que, pelo fato de terem feito clipe e musica que se encaixam perfeitamente um ao outro, com as 'viradas' (se é que poderia falar assim) de ritmo, imagens familiares e em tom levemente sépia que remete a filme antigo, tudo junto, sem exageros no som e nas imagens, ficou perfeito. Talvez por ser um toque calmo, mas com um tanto de barulho (que me lembra um pouco cenas daquelas festas de rua mais antigas)  devido aos instrumentos diferentes que eles usam, e imagens que deem um toque de lembrança a todos que assistem,  que venha a tal dose de saudosismo e nostalgia. 
Mesmo que a família não seja nossa, que os acontecimentos não sejam nossos, e, particularmente, pelo fato da minha família nem ter esse costume de gravar cenas simples da união já passada, o clipe estabelece uma certa proximidade conosco por se tratar de um tema comum, seja isso bom ou ruim. Acho que a maioria acaba lembrando da família e da infância quando assiste ao clipe.
O efeito em mim é até maior, nem preciso mais assistir ao clipe, só a música já remete a muitas lembranças que dão essa desordem de alegria e tristeza. Aliás, a música passa-me também um ar de vitalidade, de força para 'continuar'. Fora que agrada muito aos ouvidos, tanto pelo estilo de música, quanto pela boa e dosada mistura de instrumentos (entendendo que é uma dose diferente, mas que deu certo).
Vale a pena também ler a letra da música, que também tem muita relação com o tema sugerido, principalmente em trechos como:



"The times we had. Oh, when the wind would blow with rain and snow.  Were not all bad (...) In my good times. Those are our times."


Enfim...
A melhor parte é que já passou, e a gente continua!

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Já ouvi pessoas rezando para viver mais,
Já ouvi pessoas clamando pela morte.

Ambas morreram,
fim!

...Pois li um dia numa parede pixada "A gente não nasce nem morre, só sai do campo de visão normal."
Isso ficou,
Ecoa desde então...

Como falar de morte, então?!


sábado, 10 de setembro de 2011

Para hoje, sempre Ontem

O tempo não tem perdoado as vãs tentativas de quietude,
O corpo... sinto até dó deste que me leva, pois já se arrasta revirado.
Os olhos que vês, brilha, não se engane, por desejar tanto uma lágrima que faça borrar a vista.
Os dedos que se cruzam desejam no fundo, que uns aos outros, se sufoquem,
A ardência que passa pela boca, nariz, testa, é todo o movimento que se nega a existir.
Cada palavra não dita, cada gesto amputado, é um micro-mundo que entope as veias.
Aos poucos estagna-se...

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Boa música


Acho que já vi esse vídeo em outro lugar!


It's a shame we have to die my dear
No one's getting out of here alive
This time...


domingo, 4 de setembro de 2011

'Temos todo tempo do mundo' (?!)

O sangue que me corre vai lento,
cansado me alimenta, sustenta minhas desistências,
Faço boas coisas, atos que me satisfaçam,
mas até então nada que me contenha.
A cabeça ferve de desejos,
atormenta minhas noites com medos.
O mundo me diz que posso ser o que eu quiser,
mas ainda me custa muito buscar ser eu mesma.
Eu que sei meu fim mais certo, ainda penso o que serei,
temo desistir demais, insistir demais.
Fazer tudo errado parece tão fácil e tentador.
Adequar-se a tudo é desistir de si.
Faz tempo que não sei mais o que parece certo ou errado... menos mal.
Viver é complicado!


Para fechar com chave de ouro esse domingo cansado, uma música que faz pensar, me agrada!

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Você tem sede de que? Você tem fome de que?

Para que várias pessoas se reúnam, mesmo que com objetivos diferentes, mas com uma causa em comum, gritando e cantando, unindo vozes e transformando-a em uma só voz, que pede, clama, briga... creio que algo está errado não é? Um corpo não se movimenta quando em equilíbrio, e se agita intensamente quando o desequilíbrio é forte, ele luta pela sobrevivência. Então, por que fingir que não ouve, que não vê, que não entende tanta agitação? Por que negar certas condições visíveis a todos? 
Por que achar que estamos ainda submetidos, e que por isso nunca levantaremos nossas vozes?


Vimos na história que pessoas 'de poder' escolheram tirar vidas, calar vozes, quebrar sonhos e ossos, queimar esperanças e corpos inteiros a simplesmente tentar resolver o problema. Ainda hoje fazem isso!
Mesmo com tantos fatos que condenam nosso passado e deveriam fazer-nos refletir, não é difícil encontrar pessoas que além de não defenderem um possível diálogo, tão importante em conquistas e avanços, chegam com um discurso equivocado e estagnado, que intitula, nomeia, distribui rótulos à massa que se agita... "os arruaceiros, drogados, vândalos e insatisfeitos".
 Esses, meus caros, tenho certeza, cuidam da vida dos outros pois negam a sua própria e nunca foram capazes de lutar por nada, nem por sua própria dignidade, entregues finalmente a mídia que massifica pensamentos e manipula possíveis opiniões. A falácia é a mesma, a falta de coragem é a mesma, o comodismo é o mesmo, a cegueira social...
A conscientização das condições do ser humano deveriam servir-se para que este lutasse por mudanças, que buscasse mudar, fazer diferente, pregar a diferença... Mas o que vemos, que vergonha, são pessoas que lamentam de si, olham para o chão e voltam para sua confortável e já laceada poltrona e se permitem serem invadidos por ideias superficiais e cômodas. Triste daquele que crê não ter condições para mudar a si e ao chão que pisa. 


Portanto, os arruaceiros que bloqueiem ruas, os insatisfeitos que busquem justiça, os vândalos que quebrem e estilhacem os estigmas sociais, e aqueles denominados massivamente de drogados e desocupados que provem ter muito mais capacidade e consciência do que esses que tentam atingir com palavras cristalizantes.

 Se os famosos direitos fossem cumpridos e respeitados por TODOS, não precisariam ser nomeados, não precisariam ser pronunciados em coro pela sua falta, pois já teriam sido revertidos em AÇÕES!


Queda do estudante de Medicina na Cinelândia, Movimento Estudantil, RJ, 1968.


Para que a história nunca seja esquecida, 
Para que o futuro nunca seja ignorado,
Para que a luta nunca seja abandonada!



segunda-feira, 22 de agosto de 2011

O que lateja é a cabeça, o peito, o passo.
Os olhos que não vêem o caminho, a mão que não se apóia no abismo.
O mundo que gira independente dos nossos gritos.
Os gritos...
Doces, aos costumes dos que são calados.



Entendi que sou o que quiseram fazer de mim,
Sou só, neutra, calada, ser impessoal.
Com o andar apático, o olhar no chão, 
sorriso arrancado, forma de não compartilhar qualquer motivação.
Aprendi a temer minha imagem, a negar ajuda e a desconfiar das velhas promessas de paz.
Aprendi a não aprender mais do que o necessário para que eu fosse útil,
para que eu fosse aceita.
Aprendi a ser Normal.


A cabeça pesa e o corpo empurra.
As mãos cansam e as veias latejam.
Os pés descalços sentem o chão a roubar o que já foi calor.
Os olhos cansados correm o chão sem sustento.
A vida que acaba independente das nossas lágrimas.
O sal que nos cai, sustenta nossos dilúvios.
As amarras que criamos para nossas mudanças,
São as nossas maiores confidentes.
E os braços que tentavam dissipar qualquer dominação
Hoje almejam tudo o que no mundo fora do seu, nunca lhe pertencerão.


Quando vi tudo o que não sou, tudo o que me negaram,
A moral bateu nos meus ombros e me deixou
E eu que sempre fui só,
via-me agora só.
O frio teve mais importância, o chão ganhou justificativas,
Sempre esteve sob nossos pés, aguentando fardos.
O mundo re-virou, viraram detalhes,
Como o pingente que eu nem reparei que carregava sobre meu peito.
Como as lembranças que eu sempre neguei carregar...


Hoje,
sonho.