quinta-feira, 21 de abril de 2011

Everybody Hurts


''Quando seu dia é longo
E a noite - a noite é solitária,
Quando você tem certeza de que já teve o bastante desta vida,
Continue em frente

Não desista de si mesmo,
Pois todo mundo chora
E todo mundo se machuca, às vezes...

Às vezes tudo está errado,
Agora é hora de cantar sozinho.
Quando seu dia é uma noite solitária (aguente firme, aguente firme)
Se você tiver vontade de desistir (aguente firme)
Se você achar que teve demais desta vida,
Para prosseguir...

Pois todo mundo se machuca,
Consiga conforto em seus amigos.
Todo mundo se machuca...
Não se resigne, oh, não!
Não se resigne
Quando você sentir como se estivesse sozinho.
Não, não, não, você não está sozinho...

Se você está sozinho nessa vida,
Os dias e noites são longos,
Quando você sente que teve demais dessa vida para
seguir em frente

Bem, todo mundo se machuca
Às vezes, todo mundo chora
E todo mundo se machuca, às vezes
Mas todo mundo se machuca, às vezes
Então aguente firme

aguente firme, aguente firme...

Todo mundo se machuca

Você não está sozinho...''

Nunca estará!


segunda-feira, 11 de abril de 2011

Sintamos nosso estômago dar infinitas voltas...
Perceba, ele não para de rodar quando o mundo aparenta estar melhor...
E não vale a pena esconder-se em doces palavras, em boas imagens,
...
Agora, vomitemos tudo o que nos faz mal, repelindo corpos estranhos que, escondidos em ingênuas figuras, nos invadem, sugam nossa capacidade de enxergar e sentir o errado, de lutar contra nossas próprias injustiças...
'Não acomodar com o que incomoda'



'Rasgo os muros do infinito,
Nos silêncios que procuro o mundo me aterra,
Não fui eu que pedi esta guerra,
Foi ela que me chegou a cada grito.

A cada grito dos injustiçados desta terra,
Refugiados de outras batalhas perdidas,
Com braços cansados e mãos vencidas,
E um olhar de silêncio como de quem berra.

Berra por todas as almas vendidas,
Sujeitas ao preço vil da escravidão.
E eu lutava se não fosse a maldição
De não conseguir sarar todas as feridas.

As feridas abertas da liberdade,
Que prometeram enquanto me prendiam,
Que prometeram mas apenas vendiam
Em troca da minha dignidade.

Se assim é, antes a morte!'

António A


(Créditos: aulas de processos grupais)

sexta-feira, 1 de abril de 2011

O que nos vale realmente?
Acumular? Olhar o próprio caminho? Vigiar-se? Enquadrar-se aos padrões? Competir? Derrubar?... Matar?!
O que nos vale, além das palavras, nosso maior recurso e álibi para uma possível pureza, ingenuidade, santidade...?
O que construímos num contexto de apreensões, de possibilidades?
O que escolhemos ser em nossa inconstância congelada?
O que fazemos com a palavra 'ser racional'? (Colocamos em nossas identidades e justificamos todos nossos atos que agradem até os nossos limites egoístas?)

Nossas palavras nos prendem a respostas decoradas... versinhos ingênuos que mascaram nossas obscuras e distorcidas faces...  Tememos a nós mesmos por isso sorrimos ao outro em troca de contentamento, e troca de que nenhum espaço seja invadido e revelado em sua pureza impura, a segurança do distante sem ligações... Sinto pena, e isso já me faz um mártir para além daquele que realmente sofre... Jogo lindas palavras que me tornam uma pessoa difícil de ser alcançada... Construo meu império em palavras que conquistem,seduzam, aprisionem, ceguem. Tenho o poder da boa fala, posso ter o mundo...

Pensemos... Reflitamos... Não respondendo em palavras, mas olhando, abusando de gestos que nos expressem em essência inconstante, escutando o que não parece interessar, respirando um ar composto de vida, sentindo o arrepiar dos movimentos da brisa, sentindo a nós mesmos incorporados num mundo estávelmente caótico... Agora...
O que nos vale realmente?
...


"A pequena Vendedora de Fósforos" do escritor Hans Christian Andersen, mostra um pouco daqueles que julgamos ter pouco... mas que sabem ir além do 'possuir' e CRIAM um mundo novo, sem renunciar ao velho. Os que pouco tem, muito mais possuem verdadeiramente!


Lembro-me de ter lido esse conto ao 8 anos de idade e já me mobilizava um pouco, na medida do que eu achava conhecer... Hoje, que já não julgo ou 'meço' conhecimentos, sinto isto ecoando 'dentro' de mim muito mais...

segunda-feira, 28 de março de 2011

Por esses dias, enquanto caminhava, percebi que minha vontade por querer correr não se explicava em si... Descobri que ansiava por querer correr para fugir de mim, de minhas paixões cheias de culpa, dos pesos que carregava; o minuto essencial que faz qualquer um querer abandonar tudo, dizer basta! a tudo o que limita, pesa, cega, emudece. Percebi também que não conseguia correr, explicado nessa fuga, pois meu pessimismo pesava minhas duas pernas; obrigava-me a olhar para o chão enquanto toda minha vida passava e se perdia na minha frente, se desprendendo aos poucos de meus dedos sem que ao menos eu me permitisse perceber. Percebi que quando pensei isso, minha garganta deu um nó, olhei para frente, tive o sol já queimando meu rosto e cegando meus olhos, o sol que nego por querer me passar calor... Meu orgulho, que algumas vezes desconfio ser medo, recusa-me algumas vezes o calor...
Depois disso, com a visão já 'acostumada' com aquela luz, me permiti correr, pelo menos um pouco... e com pisadas fortes, para que tudo aquilo que atrasava minha vida se desprendesse e ficasse para trás... para onde eu nunca olho...

Descobri que tenho que aprender a fazer mais isso...

Descobri que tenho ainda muito mais para deixar para trás.

terça-feira, 22 de março de 2011

Luto

Ontem o sol amanheceu opaco, ele já sabia que o dia seria triste e cansativo...
Esperamos a morte, mas nunca a aceitaremos na prática... é 'normal', mesmo que incômodo.
Chorei, por aquele que 'foi', e por aqueles que ficaram... pelos olhares que buscavam guardar uma última imagem de paz, pelas bocas que murmuravam por interseção. No fundo sei que ele ainda vive em memória e atos, em cada geração que há e que vier; o que há de se enfrentar ainda é a falta física...

Pelo meu vôzinho,
Por todos os outros que se foram,
E por nós, que aqui esperamos...


terça-feira, 15 de março de 2011

Tanta coisa...

Tenho sentido uma ânsia de escrever sobre tantas coisas... Poesias, Sentimentos, Tristezas, Críticas, Desabafos, Inutilidades... tudo se resumindo a essa ardência no coração e no pensamento que me fazem querer vomitar tudo o que restou de mim e o que nunca foi meu... Ao mesmo tempo temo que tudo isso seja fruto de minha loucura inventada, da minha ilusão convencida de ser complicada... Entende? Não?!
Como diria Clarice Lispector: " E se me achar esquisita, me respeite também, até eu fui obrigada a me respeitar."


Deixo meus sentidos e experiências tão a vontade, que eles fazem uma festa dentro de mim... É a imagem da paisagem com neblina na volta para casa, é a música que por um instante me faz esquecer tudo que me preocupa, é o medo* contidamente(existe?!) latejante, é a saudade ** misturada com carência, minha consciência me dando bronca por tanta frescura e 'fraqueza' (como por exemplo esta de agora...), minha fé lutando contra meus momentos de desânimo, é a leitura de textos que me deixam mais e mais apaixonada pela Psicologia, poesias que conversam com meus pensamentos, trechos do livro que se encaixam em minha vida... Sinto à flor da pele a minha vivência... E esse sentir mistura-se num aspecto de prazer e dor... Um sentir que reclamo e ao mesmo tempo amo querendo sempre guardá-lo e algumas vezes mostrá-lo ao mundo... Algo que me engana fingindo ser fraqueza, mas que sempre descubro ser minha fortaleza... O que me assegura diferenciar-me de tudo o que insiste em ser peso morto, inerte e passivo em um mundo que em si, declara ser puro movimento...


"Tente. Sei lá, tem sempre um pôr-do-sol esperando para ser  visto, uma árvore, um pássaro, um rio, uma nuvem. Pelo menos sorria, procure sentir amor. Imagine. Invente. Sonhe. Voe." (Caio Fernando Abreu)










*Uma poesia que se encaixa perfeitamente "Na primeira noite eles aproximam-se e colhem uma Flor do nosso jardim e não dizemos nada.
Na segunda noite, Já não se escondem; pisam as flores, matam o nosso cão, e não dizemos nada.
Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua e, conhecendo o nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E porque não dissemos nada, Já não podemos dizer nada." (Vladimir Maiakovsky)  Direitos de Indicação: Fábio rsrs (.: obrigada)

** Como a história que a prof. de História da Infância e da Família nos contou em que a criança com medo, no quarto escuro,  pediu para que a mãe falasse, qualquer coisa que fosse, mas falasse; e quando contestada pela mãe por esse pedido (ao invés de pedir para que simplesmente se acendesse a luz), explicou que tudo se iluminava quando a mãe falava... A falta das pessoas é como estar em um quarto escuro, em silêncio, e saber que não há ninguém para iluminar naquele momento... Assim penso.


Enfim...

terça-feira, 8 de março de 2011

Nosso Dia...

Que não só hoje seja considerado o dia da mulher... mas que todo dia elas (nós) tenham um lugar em nossa consideração. Por aquelas que nasceram, choraram, sorriram, cresceram mulheres... Por aquelas que lutam, esbravejam, gritam, choram e se mostram frágeis com uma doçura que ao mesmo tempo é fortaleza... Por aquelas 130 mulheres que morreram carbonizadas dentro de uma fábrica no dia 8 de março de 1857  e por aquelas que ainda morrem um pouco todos os dias com a exploração da mão de obra barata, com os salários baixos e com todos os tipos de abusos dos quais são sujeitas. Por aquelas que são apedrejadas, chicoteadas... Por aquelas que são produtos baratos em beiras de pistas... Por aquelas que sofrem mutilação... Por aquelas que não têm o direito de escolher a quem amar...
Por todas essas mulheres, que apesar de serem símbolo de fragilidade, sofreram e sofrem muito mais por lutar na conquista de espaço e direitos,
as vozes que nunca serão caladas...