quinta-feira, 7 de março de 2013

Produção

Eis que, em uma determinada idade, quando comecei a questionar, cortaram minhas asas, que eu carinhosamente chamava de imaginação e puseram-me tais amarras, que chamavam de moralismo/alienação. Desenharam um sorriso em minha cara, colaram ferramentas em minhas mãos. Secaram o concreto da realidade em meus pés e me colocaram nas esteiras da submissão.


domingo, 29 de abril de 2012

"Por favor...cativa-me!"


"Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol.Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros.
Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra.O teu me chamará para fora da toca,como se fosse música. 
[...]
Se tu vens,por exemplo,às quatro da tarde,desde às três eu começarei a ser feliz.Quanto mais a hora for chegando,mais eu me sentirei feliz.Às quatro horas então,estarei inquieta e agitada:descobrirei o preço da felicidade!"
(Antoine de Saint-Exupèry)

terça-feira, 13 de março de 2012

Água e vinho!

Sei o que tenho feito de minha vida e sei, sobretudo, tudo o que me recusei a fazer não graças às pressões sociais que sempre tentaram me enquadrar em seus padrões tediosos e superficiais. Agradeço a todos aqueles que NÃO me apoiaram e sempre duvidaram de mim e de minhas capacidades. Por descrença destes (e teimosia minha), eu aceitei o desafio de VIVER e não apenas imitar. Se eu continuo agindo e sentindo, é porque, de certa forma, eu VENCI! 


Tais desafios são feitos todos os dias, quando acordamos já imersos em injustiças e hipocrisias cruas e escolhemos, REFLETIMOS e atuamos sobre o que nos incomoda, sobre o que acaba nos acomodando e atando nossas ações sutilmente.




"Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada." (Clarice Lispector) 


Que ela seja inventada por mim (que eu beba do meu vinho)!!!

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Come on take me away

No infinito de meu fim procuro-te, seguro teus detalhes contra meu peito,
E nas mãos que se entrelaçam guardamos muito mais do que o contato,
Se penso e me perco em ti, é porque nunca antes soube o que era sentir,
Agora, tudo o que lateja tem seu ar,
Tua liberdade me ensinou a buscar-te nas melhores e mais simples coisas.
Aprendo verdadeiramente a viver, gritar e lutar. Ao mesmo tempo quero ser tua pequena.
Sorrir ao te ver e te mimar com meiguices, fazer-te dormir com cafuné acordar-te com abraços quentes... 
Finalmente sou eu, com você. 
Sinto-me viva duplamente!
Seu desenho, obrigada pelas lembranças tão presentes!

Não tem jeito,  não consigo deixar de pensar em você! =P

domingo, 19 de fevereiro de 2012

I know

Para as tristezas que convivem sutilmente dentre as felicidades
Que são tantas em ambas, já nem sei mais o que sinto
As feridas têm sido constantes, que viraram conhecidas
E a luta de quem vive se mistura aos pensamentos cotidianos...
Tudo sempre foi normal
Por isso, sentir é sempre mais difícil,
Mas sente-se, afinal.
A flor da pele, eu vivo!



A vontade de escrever tem sido pouca, esse tem sido meu mal!

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Vagar-se

Ter o que não se faz, morrer de vidas inventadas, 
transitar em introspecções, perder-se e fazer aparecer, 
olhar e emudecer, apreciar o que não é, 
negar-se ao espelho, jogar-se no que é seco, voar  e apegar-se, 
libertar-se e prender-te a mim! 
Penso e enlouqueço, preencho-me de ecos,
Os dias morrem, as noites apaixonam, 
a chuva seca, a seca leva.
Os noticiários se aceleram, e no entanto, ouve-se sempre os mesmos zumbidos. 
A vida passa, 
eu te espero!
Ovo Cósmico-Salvador Dalí

domingo, 25 de dezembro de 2011

Sunday, sweet sunday!

Não te aflijas com a pétala que voa: 
também é ser, deixar de ser assim.


Rosas verás, só de cinza franzida,
mortas intactas pelo teu jardim.


Eu deixo aroma até nos meus espinhos,
ao longe, o vento vai falando em mim.


E por perder-me é que me vão lembrando, 
por desfolhar-me é que não tenho fim.
 (4º Motivo da rosa- Cecília Meireles)


Revigorar-se com um livro de poesias (um precioso presente) que contigo conversa, e conta segredos como o de viver mudanças. Sentir o cheiro da chuva em suas primeiras lágrimas a dar vida à terra. Balançar-se suavemente n'uma rede e deixar parecer que é o vento que brinca. Ter a família ao lado, ver todo bem 'apesar de'. É o que me basta para viver bem um dia, como se fosse a vida inteira.A cada dia morremos um pouco... Uns logo já dramatizam seu fim, outros aproveitam tudo o que ainda têm de bom! 'É' preciso renascer e deixar-se ressurgir a cada dia! 
Quero ser, deixar de ser!




Ah, esses meus pensamentos... bons companheiros dos finais de tarde!

sábado, 17 de dezembro de 2011

Tempo, tempo...

Era ela, pequena menina, cabelos curtos, tão finos que ainda dançavam fragilmente com o vento, de perninhas finas e quase quebráveis. Corria atrás do pequeno filhote que acabara de ganhar, explorava todos os cantos do quintal de cimento remendado.  Outra...
No Ano Novo, vendo toda família reunida uma ultima vez, com um vestido branco feito a mão pela mãe. Cartazes de bons desejos, mesa farta, irmãos tocando e pai cantando, sono. Dormiu antes d'outro ano chegar. Novamente...
Decorando quatro versinhos antes de apresentar-se junto a outras crianças. Versos que falavam sobre Tiradentes. Usava seu vestido preferido... Ao mesmo tempo, o que mais penicava. Recitou com a voz trêmula. Depois seus pais a levaram a praça para brincar e tirar fotos. Mais... Muito mais vem à mente.
E piso em todos os lugares que já vivi. O passado não volta. Continuo caminhando no limite do que é presente e futuro. Todo olhar sempre é uma nova perspectiva a se revelar. Já não olho com os olhos que enxergavam há anos atrás. O que fica é a lembrança: um cheiro, um gosto, um gesto. Os rostos já mudaram, os abraços mudaram sua exigência de conforto. O amor se diferenciou. O coração e as pernas continuaram a tocar a vida do resto do corpo. 
Que eu possa continuar vivendo com pequenas e saborosas colheradas. O final chega, inevitável e algumas vezes brutal. Mas quero olhá-lo e suspirar satisfeita da vida que vivi!


Não preciso correr, sinto e absorvo as pedras e flores do caminho.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

(Des)acostumar-se

Hoje nossa professora de Histórico Cultural nos presenteou com um lindo texto para encerrar a matéria!

EU SEI, MAS NÃO DEVIA

Eu sei que a gente se acostuma, mas não devia

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. 

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.

(Marina Colasanti)


Ela dedicou-nos o texto, desejou que nunca nos acostumemos com certas situações por comodismo ou pressão social...
Pois bem, dedico não o texto, mas toda a profundidade que ele carrega à uma boa parte de minha família e para todos aqueles que um dia sugeriram que eu desistisse, que 'deixasse quieto' ou esquecesse.
Desejo que entendam e respeitem o fato de eu não me acostumar com apartamentos, janelas fechadas e quintais cimentados. Que não me acostumo com mentiras (inclusive as minhas próprias), com arrogâncias e todos os tipos de palavras que machucam os que amo. Que não me acostumo com o passado que tive, e que perdoar nunca será esquecer. Que não me acostumo com quem não aceita ou simplesmente convive com minhas diferenças.
Que não me acostumo com corrupções, invejas e discriminações. Que não me acostumo com as bitucas de cigarro, copinhos de plástico e afins que jogam no meio da rua, diante de meus olhos. Que não me acostumo com exemplos e morais passadas, puras enganações. Que não me acostumo com certas ausências e muito menos com presenças forçadas. Que não me acostumo com as falsas amizades e falsos amores. Que não me acostumo com a brutalidade e capacidade dos meus próximos em magoar. Que deixo-os sobretudo livres para não se acostumarem comigo!!! Que eu mesma já não me acostumo com o que tenho de mim, pois a cada dia, sou-me outra, sempre reconstrução!
 (Obrigada professora)

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Dia D

Só para enfatizar, hoje comemoramos os 109 anos do meu querido e eterno inspirador Carlos Drummond de Andrade.
Eternamente e merecidamente lembrado!!!
Leia mais aqui...


"Se procurar bem você acaba encontrando.
Não a explicação (duvidosa) da vida,Mas a poesia (inexplicável) da vida."

domingo, 23 de outubro de 2011

Uma música para o domingo

Para o dia não-mais-tão-calmo e de tonalidades belamente tristes, que precede os dias de correria, dedico-lhe uma música na qual sempre me lembro em teus semanais dias... 
Original- Radiohead

sábado, 8 de outubro de 2011

Nosso mundo gira loucamente...

Queria com a voz mais doce adormecer-te em meus braços...
e a cada abraço fazer-te leve
Levar-te a voar comigo no céu mais denso e doce.
Com mãos suaves que te arrepiassem a voz.
Nos nossos dias em que tudo é possível, 
quero contigo continuar sonhando.
Ter dessa companhia os sorrisos mais sinceros
Os olhos mais cativantes...
Que prendem-me quando estás e roubam-me quando deles lembro
Rosto, corpo e pessoa que me encantam,
que movem meus dedos a escreve-te essas linhas.

(The Weepies- World Spins Madly On)

Ah, como os dias são suaves e ternos ao seu lado!

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Que seja Doce!


Esperança, a lágrima contida, o sorriso esperado, o abraço que prepara e aquece o corpo...
Vã quando sonho, quando me cega e me transporta para minhas utopias.
Realidade que se materializa no viver, em cada passo que dou e que possibilita que eu presentifique as possibilidades futuras e me desprenda de tudo o que é passado...
Peço-me, não te abandones...
Mas também... não se vicie no que não é, esperando passivamente acontecer...
Então...
"Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim, que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo; repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante. Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. Tudo é tão vago como se fosse nada.”
Caio Fernando Abreu

Pois se deixo a minha janela aberta, é porque respiro a docilidade de agir, viver e nunca deixar de desejar!

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Percepções viajantes

A espuma d'água que cai no céu.
O homem que constrói e é destruído por sua própria criação. Capaz de virar um mundo de ponta cabeça.


Um horizonte belo, um ar calmo.
Encontraria isso em qualquer lugar, mas, ali não era qualquer lugar.


Perder-se no estranhamento acolhedor.
Ter a felicidade de não possuir ponto de partida nem de chegada.
 


Ver nos rostos uma mistura, um conforto de lar muito diferente do que já senti.
Rostos pintados de fé. Rezas e persistências que movem coletivamente pessoas estranhas entre si.


Nas ladeiras deixar rolar toda prisão gerada pela terra.
Sentir nas serras que cercam um pequeno mundo, um abrigo que liberta.


Entender que sorrisos ainda são bem-vindos e que conversas ainda podem ser longas.
Chegar num espaço leve onde a loucura é apenas um dos parâmetros alcançáveis da inatingível normalidade.


Anoitecer por dentro, deixar ir o que me leva, deixar para trás o que levo comigo. 
Ver no céu uma estrela que equivale aos pontos luminosos que brotam no chão.




Viajar faz bem ao organismo e à história pessoal!

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Som de sensações...



 Trata-se de 'Postcards From Italy' da banda Beirut. A banda começou a fazer sucesso no Brasil depois de ter a música 'Elephant Gun' usada como trilha na minissérie 'Capitu'. Foi nessa que eu também conheci e me apaixonei pelo som deles.
Não vou cometer a injustiça e eleger essa música como a melhor da banda, mas devo confessar que é uma das músicas que mexe mais comigo. E esse mexer chega a ser ambíguo, uma mistura de felicidade, tristeza e  saudade... complexo. 

Acho que, pelo fato de terem feito clipe e musica que se encaixam perfeitamente um ao outro, com as 'viradas' (se é que poderia falar assim) de ritmo, imagens familiares e em tom levemente sépia que remete a filme antigo, tudo junto, sem exageros no som e nas imagens, ficou perfeito. Talvez por ser um toque calmo, mas com um tanto de barulho (que me lembra um pouco cenas daquelas festas de rua mais antigas)  devido aos instrumentos diferentes que eles usam, e imagens que deem um toque de lembrança a todos que assistem,  que venha a tal dose de saudosismo e nostalgia. 
Mesmo que a família não seja nossa, que os acontecimentos não sejam nossos, e, particularmente, pelo fato da minha família nem ter esse costume de gravar cenas simples da união já passada, o clipe estabelece uma certa proximidade conosco por se tratar de um tema comum, seja isso bom ou ruim. Acho que a maioria acaba lembrando da família e da infância quando assiste ao clipe.
O efeito em mim é até maior, nem preciso mais assistir ao clipe, só a música já remete a muitas lembranças que dão essa desordem de alegria e tristeza. Aliás, a música passa-me também um ar de vitalidade, de força para 'continuar'. Fora que agrada muito aos ouvidos, tanto pelo estilo de música, quanto pela boa e dosada mistura de instrumentos (entendendo que é uma dose diferente, mas que deu certo).
Vale a pena também ler a letra da música, que também tem muita relação com o tema sugerido, principalmente em trechos como:



"The times we had. Oh, when the wind would blow with rain and snow.  Were not all bad (...) In my good times. Those are our times."


Enfim...
A melhor parte é que já passou, e a gente continua!

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Já ouvi pessoas rezando para viver mais,
Já ouvi pessoas clamando pela morte.

Ambas morreram,
fim!

...Pois li um dia numa parede pixada "A gente não nasce nem morre, só sai do campo de visão normal."
Isso ficou,
Ecoa desde então...

Como falar de morte, então?!


sábado, 10 de setembro de 2011

Para hoje, sempre Ontem

O tempo não tem perdoado as vãs tentativas de quietude,
O corpo... sinto até dó deste que me leva, pois já se arrasta revirado.
Os olhos que vês, brilha, não se engane, por desejar tanto uma lágrima que faça borrar a vista.
Os dedos que se cruzam desejam no fundo, que uns aos outros, se sufoquem,
A ardência que passa pela boca, nariz, testa, é todo o movimento que se nega a existir.
Cada palavra não dita, cada gesto amputado, é um micro-mundo que entope as veias.
Aos poucos estagna-se...

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Boa música


Acho que já vi esse vídeo em outro lugar!


It's a shame we have to die my dear
No one's getting out of here alive
This time...


domingo, 4 de setembro de 2011

'Temos todo tempo do mundo' (?!)

O sangue que me corre vai lento,
cansado me alimenta, sustenta minhas desistências,
Faço boas coisas, atos que me satisfaçam,
mas até então nada que me contenha.
A cabeça ferve de desejos,
atormenta minhas noites com medos.
O mundo me diz que posso ser o que eu quiser,
mas ainda me custa muito buscar ser eu mesma.
Eu que sei meu fim mais certo, ainda penso o que serei,
temo desistir demais, insistir demais.
Fazer tudo errado parece tão fácil e tentador.
Adequar-se a tudo é desistir de si.
Faz tempo que não sei mais o que parece certo ou errado... menos mal.
Viver é complicado!


Para fechar com chave de ouro esse domingo cansado, uma música que faz pensar, me agrada!

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Você tem sede de que? Você tem fome de que?

Para que várias pessoas se reúnam, mesmo que com objetivos diferentes, mas com uma causa em comum, gritando e cantando, unindo vozes e transformando-a em uma só voz, que pede, clama, briga... creio que algo está errado não é? Um corpo não se movimenta quando em equilíbrio, e se agita intensamente quando o desequilíbrio é forte, ele luta pela sobrevivência. Então, por que fingir que não ouve, que não vê, que não entende tanta agitação? Por que negar certas condições visíveis a todos? 
Por que achar que estamos ainda submetidos, e que por isso nunca levantaremos nossas vozes?


Vimos na história que pessoas 'de poder' escolheram tirar vidas, calar vozes, quebrar sonhos e ossos, queimar esperanças e corpos inteiros a simplesmente tentar resolver o problema. Ainda hoje fazem isso!
Mesmo com tantos fatos que condenam nosso passado e deveriam fazer-nos refletir, não é difícil encontrar pessoas que além de não defenderem um possível diálogo, tão importante em conquistas e avanços, chegam com um discurso equivocado e estagnado, que intitula, nomeia, distribui rótulos à massa que se agita... "os arruaceiros, drogados, vândalos e insatisfeitos".
 Esses, meus caros, tenho certeza, cuidam da vida dos outros pois negam a sua própria e nunca foram capazes de lutar por nada, nem por sua própria dignidade, entregues finalmente a mídia que massifica pensamentos e manipula possíveis opiniões. A falácia é a mesma, a falta de coragem é a mesma, o comodismo é o mesmo, a cegueira social...
A conscientização das condições do ser humano deveriam servir-se para que este lutasse por mudanças, que buscasse mudar, fazer diferente, pregar a diferença... Mas o que vemos, que vergonha, são pessoas que lamentam de si, olham para o chão e voltam para sua confortável e já laceada poltrona e se permitem serem invadidos por ideias superficiais e cômodas. Triste daquele que crê não ter condições para mudar a si e ao chão que pisa. 


Portanto, os arruaceiros que bloqueiem ruas, os insatisfeitos que busquem justiça, os vândalos que quebrem e estilhacem os estigmas sociais, e aqueles denominados massivamente de drogados e desocupados que provem ter muito mais capacidade e consciência do que esses que tentam atingir com palavras cristalizantes.

 Se os famosos direitos fossem cumpridos e respeitados por TODOS, não precisariam ser nomeados, não precisariam ser pronunciados em coro pela sua falta, pois já teriam sido revertidos em AÇÕES!


Queda do estudante de Medicina na Cinelândia, Movimento Estudantil, RJ, 1968.


Para que a história nunca seja esquecida, 
Para que o futuro nunca seja ignorado,
Para que a luta nunca seja abandonada!